Há dois anos que o 3B da RM1, está a desenvolver o projeto “Escola a ler”.
Se perguntarmos a uma criança, por que quer ir para a escola, a resposta será, muito provavelmente, para aprender coisas novas e para aprender a ler.
O ingresso no 1.º ciclo, está socialmente associado à entrada formal da linguagem escrita.
A aprendizagem da leitura é um processo complexo e moroso que requer por um lado motivação, esforço e prática por parte da criança e por outro o esclarecimento sistemático por parte do professor.
O dramaturgo alemão Johann Goethe expressou a complexidade e morosidade deste processo quando, questionado sobre o momento em que aprendera a ler, afirmou ter necessitado para tal de 80 anos e não ter a certeza de já então o ter conseguido.
Para tal e para a promover da melhor forma, ou seja de modo prazerosa, há que ter em conta diversos aspetos, como a importância quer na escola quer na família, proporcionar momentos para a leitura em voz alta, pois tal como escreveu Inês Sim-Sim “A sedução precoce pelo escrito assenta nas experiências de partilha de leitura que a criança vivencia quando o adulto criou o hábito de lhe ler. Esse hábito enraíza-se tão mais fortemente quanto mais é alimentado por rotinas de tempo e de lugar”. Adianta ainda que “É a força dos momentos de intimidade e de partilha que une leitor, livro e ouvinte. Esta trilogia é a grande geradora de cumplicidades que se constroem na rotina diária à volta do livro; quanto mais atrativa for a leitura, mais presos estão o ouvinte e o leitor; quanto mais interessados estes últimos estiverem, maior se torna a revelação do que está escrito, mais tempo é consumido a pensar no que se leu e a explorar o livro lido.”
O projeto “Escola a ler”, propõe várias atividades no sentido de criar rotinas de leitura, de modo a que a criança se sinta aliciada.
Uma das atividades que esta turma desenvolve é a ida sistemática à biblioteca escolar, quer para fazer a requisição domiciliária, quer para “criar dinâmicas que proporcionem experiências positivas com os livros” .
Outra atividade que os alunos aderiram, foi o “Livr`à mão”, que consiste em ter um livro trazido de casa ou emprestado por outros colegas e um dia por semana, no intervalo, cada um procura um espaço aprazível, sozinho ou a pares, e leem o seu livro. Para o desenvolvimento deste exercício, a professora dá enfâse ao facto do livro ser do agrado do aluno. Os pais, muitas vezes, dizem-me que o filho vai levar um livro dos irmãos mais velhos e eu peço para atender aos interesses que o filho demonstra. É um aspeto importante!
Assim como a escola, também a família tem uma cota importante no desenvolvimento das competências de leitura, melhorando a fluência e a compreensão leitoras.
Os alunos que em casa desde muito cedo tiveram contacto com um diversificado número de livros, demonstraram em sala de aula, precocemente, maior facilidade na descodificação e automatização da leitura mas também revelaram maior facilidade em extrair informação de diferentes tipos de texto, transformando-a em conhecimento.
Tal como refere Rubem Alves “Um livro é um brinquedo feito com letras. Ler é brincar”.
